À medida que aumentam as expectativas dos stakeholders, a auditoria interna se torna mais complexa. Consequentemente, os responsáveis podem encontrar dificuldades para implementar um processo compatível com a estratégia da empresa e com as demandas das partes interessadas.

Não por acaso, uma gestão de excelência sabe que é preciso avaliar se a organização reúne o conhecimento necessário para implementar essa atividade. Mais que isso, se há competência suficiente para agregar valor para a companhia. Só assim, sócios, fornecedores, acionistas, investidores, parceiros e afins ficarão plenamente satisfeitos.

A seguir, você encontrará uma síntese dos principais pontos da auditoria interna. Prossiga com a leitura e descubra se a sua empresa está preparada para realizar esse processo!

O que é auditoria interna?

A auditoria interna é um processo de avaliação da empresa. Os profissionais da área – próprios ou terceirizados – atuam para identificar os pontos fortes e as necessidades de melhoria, além de verificar se tudo está em conformidade, como parte de suas atividades regulares na organização.

No entanto, o processo também pode ser motivado por uma solicitação específica da alta administração ou da estrutura de governança. Um exemplo é o da aplicação da matriz SWOT, em que há necessidade de colher subsídios sobre as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.

De todo modo, anualmente ocorre o desenvolvimento de um plano de projetos de auditoria interna, em que se escolhem as finalidades das avaliações, como:

  • a análise de riscos;
  • o alinhamento com os objetivos organizacionais;
  • o respeito às prioridades das partes interessadas.

Por fim, as diferentes avaliações produzem relatórios com informações e recomendações de melhoria. Eles são entregues à alta administração, à estrutura de governança ou ao Comitê de Auditoria, bem como aos stakeholders e demais interessados.

Como tornar a auditoria interna mais eficiente e alcançar resultados efetivos?

A auditoria interna somente produzirá efeitos significativos se a empresa atuar de maneira eficiente nas chamadas linhas de defesa. Esse conceito abrange três diferentes níveis de atuação:

  • 1ª linha de defesa – as responsabilidades da Administração e dos colaboradores, que devem manter o controle interno no dia a dia;
  • 2ª linha de defesa – os esclarecimentos sobre os requisitos de acompanhamento interno e a adesão às normas definidas por setores como riscos, controle, jurídico e compliance, os quais funcionam de modo alinhado ao negócio;
  • 3ª linha de defesa – avaliação e relato de questões relacionadas ao ambiente de controle, à governança e aos riscos pelos auditores, bem como a recomendação de ações corretivas ou melhorias para a Administração.

Nesse sentido, a efetividade exige que a Administração e os colaboradores apliquem os esclarecimentos dos setores especializados nas ações de controle do cotidiano da empresa. Logo, há interação entre a 1ª e a 2ª linha de defesa.

Além disso, a auditoria interna precisa estabelecer uma dinâmica adequada com os órgãos-chave da empresa, como o Conselho de Administração, o Conselho de Acionistas e o Comitê de Auditoria. Tais unidades receberão os relatos dos especialistas e serão responsáveis pela tomada de providências, visando à melhoria do negócio.

Quais são os passos para uma auditoria interna de sucesso?

O sucesso está condicionado à compreensão do papel desse processo para a empresa. Resumidamente, não basta a execução do plano com base nos riscos, é preciso prestar serviços com valor agregado e fornecer, proativamente, assessoria estratégica ao negócio, desenvolvendo uma visão consultiva. Para tanto, os profissionais devem endereçar as suas principais preocupações.

Além disso, é preciso identificar novos riscos e aspectos relevantes, que devem ser analisados na empresa. Assim, eles precisam figurar como os “olhos e o braço” do Conselho de Administração, do Conselho de Acionistas e do Comitê de Auditoria. Concretizar essa concepção exige que a organização dê alguns passos importantes. Por isso, fique atento às seguintes dicas!

Definir o escopo da auditoria interna

As avaliações precisam capturar os pontos fracos e fortes com exatidão. Do contrário, ficará difícil até mesmo acompanhar a evolução do desempenho na medida em que as correções forem implementadas. Por isso, é importante contar com objetivos e escopos específicos em cada auditoria.

Obter auxílio externo

Muitas vezes, as equipes da empresa ainda não desenvolveram o know-how necessário para colocar as atividades em prática. Logo, sem conhecimento e experiência, colocam em risco o sucesso das avaliações, bem como a eficácia do diagnóstico.

Com efeito, a busca de consultores externos é fundamental para suprir as deficiências. No entanto, é preciso tomar cuidado para não se tornar refém dos especialistas. Procure o auxílio em instituições que estejam dispostas a transmitir o conhecimento técnico para empresa, de modo que, gradualmente, os profissionais internos possam atuar sozinhos.

Promover a melhoria contínua

As avaliações não devem ser eventos isolados, mas atividades periódicas. Só com acompanhamento contínuo é que os gestores identificarão os efeitos das medidas implementadas, percebendo os pontos de evolução e a necessidade de novas intervenções.

Qual é a importância da auditoria interna nas organizações?

As partes interessadas na empresa estão cada vez mais preocupadas com o rumo das auditorias internas. Isso porque os resultados do processo servirão de material para negociação de suas demandas junto à organização, principalmente do que pode ou não ser atendido.

Igualmente, as informações produzidas são fundamentais para manter o alinhamento das atividades com o planejamento estratégico, bem como para melhorar a coordenação entre as linhas de defesa. Para tanto, a auditoria interna se mantém informada sobre objetivos, metas e decisões.

O intuito é o de analisar o desempenho da companhia em relação aos seus registros regulatórios, às informações sobre a concorrência e aos dados sobre o setor de atuação. Não por acaso, os auditores participam das discussões estratégias, construindo sua percepção sobre os rumos do negócio. Tudo isso com o objetivo de se manter alinhados e, assim, cumprir a responsabilidade de servir à empresa.

Na verdade, é possível identificar uma mudança de percepção quanto ao lugar da auditoria. Os casos de maior eficiência são aqueles que a finalidade é gerar valor para organização, deixando a função meramente de controle e passando a um papel consultivo. Sobre o tema, Rosana Napoli, especialista e sócia da PWC, conclui o seguinte:

“O plano de auditoria alinha-se com o perfil de risco da empresa e evolui com a mudança de riscos. A forma e a mensagem dos relatórios e dos comunicados da auditoria interna são baseadas em fatos, apoiam a realização da missão e dos objetivos estratégicos da auditoria interna e impulsionam os stakeholders a agir”.

Com efeito, nesses casos, verifica-se a aptidão para promover a gestão de qualidade. Afinal, as atividades da empresa ganharão uma maior aderência aos padrões de alta performance, como os do Instituto de Auditores Internos (IAI), os modelos regulatórios gerais ou os paradigmas específicos de um setor.

Como saber se uma empresa está preparada para realizar uma auditoria interna?

Além de considerar os pontos mencionados neste conteúdo, é muito importante que os gestores realizem o diagnóstico de processos com o objetivo de identificar lacunas na capacidade de realizar uma auditoria interna. Com isso, as deficiências podem ser supridas com treinamentos ou com o auxílio de profissionais externos.

Na verdade, o ideal é que consultoria e aquisição de conhecimento caminhem juntas, de modo que a gestão possa colher os benefícios das avaliações imediatamente e, ao mesmo tempo, se preparar para realizar o trabalho, por si mesma, em um futuro próximo.

Assim, é recomendável que você busque o know-how para decidir adequadamente sobre a realização da auditoria interna e para qualificar as equipes o mais rápido possível. Revisar os processos internos e externos da organização é essencial para a identificação de falhas e o crescimento contínuo.

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*Colaboração de Rosana Napoli – PWC

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