Muitos acreditam que apenas empresas públicas ou grandes empresas estabelecidas com muitos acionistas precisam se preocupar – ou podem se beneficiar – com a implementação de práticas da governança corporativa.

A realidade é que todas as empresas (grandes e pequenas, privadas e públicas, em estágio inicial ou estabelecidas) competem em um ambiente que a boa governança é um imperativo comercial.

Obviamente, há parâmetros variados para determinados negócios e segmentos, mas as práticas de governança corretas impactam positivamente o desempenho e a viabilidade de longo prazo de todas as empresas.

Neste artigo, apresentaremos os motivos pelos quais a governança corporativa deve ser tratada com atenção e traremos algumas das melhores práticas para implementá-la na sua empresa. Acompanhe!

A importância da governança corporativa

Governança corporativa refere-se à forma como uma organização é governada. É a técnica pela qual as empresas são direcionadas e gerenciadas. Significa transportar o negócio de acordo com os desejos das partes interessadas. Ela é conduzida pelo conselho de administração e comitês, que devem equilibrar objetivos individuais, sociais e econômicos.

Assim, todas as empresas competem em um ambiente onde a boa governança é um imperativo comercial em relação a fatores como:

  • levantamento de capital;
  • garantia de dívida;
  • atração e manutenção de diretores talentosos e qualificados;
  • atendimento às demandas e expectativas de acionistas; e
  • preparação para potenciais aquisições ou próximas fases de crescimento.

A governança corporativa permite que as empresas exibam as suas características positivas. Com suas intenções visíveis para todos, elas são mais propensas a serem responsabilizadas por seus comportamentos e ações e, portanto, mais dispostas a se distanciarem da duplicidade.

Os princípios da governança corporativa

A boa governança corporativa é um fator-chave para sustentar a integridade e a eficiência de um negócio. Por outro lado, o mal desempenho nesse sentido pode enfraquecer o potencial de uma empresa, levar a dificuldades financeiras e, em alguns casos, causar danos a longo prazo à sua reputação.

Uma organização que aplica os princípios fundamentais da boa governança corporativa geralmente supera os concorrentes e consegue atrair investidores, cujo apoio é importante para financiar um maior crescimento. De forma geral, podemos relacionar 4 princípios básicos:

Equidade

Esse princípio envolve assegurar que todos os membros da sociedade sintam que são importantes para o negócio e não se sintam excluídos dos assuntos comuns. Isso se aplica, em especial, à garantia de que os pontos de vista das minorias sejam levados em conta.

Para isso, é preciso dispor de mecanismos para garantir que todos os grupos das partes interessadas tenham a oportunidade de manter ou melhorar o seu bem-estar.

Prestação de contas

A prestação de contas está relacionada a uma organização que reconhece que suas ações afetam o ambiente externo e, portanto, assume a responsabilidade pelos efeitos de suas ações.

O conceito implica, dessa forma, um reconhecimento de que a organização faz parte de uma rede social mais ampla – e não apenas aos proprietários. Paralelamente a isso, a empresa deve reconhecer que as partes externas interessadas têm o poder de afetar a maneira pela qual as decisões internas são tomadas.

Transparência

A transparência, como princípio, exige que a informação esteja livremente disponível e diretamente acessível àqueles que serão afetados por tais decisões. Além disso, essas decisões devem ser tomadas e realizadas seguindo regras e regulamentos.

A transparência, portanto, pode ser vista como parte do processo de reconhecimento de responsabilidade da organização pelos efeitos externos de suas ações e, também, da redistribuição de poder de forma mais equitativa para todos.

Responsabilidade e sustentabilidade

Esse princípio, obviamente, requer uma perspectiva de longo prazo para o desenvolvimento humano sustentável. De fato, as atividades de uma organização afetam o ambiente externo no qual ela está inserida.

Nos negócios, os três aspectos da sustentabilidade incluem: o social, o econômico e o ambiental. O papel das empresas em abordar todas essas questões depende da prática de gerenciamento implementada na organização.

Vale ressaltar que as empresas sustentáveis atraem e retém funcionários com mais facilidade, além de enfrentarem menos riscos de reputação e, consequentemente, financeiros. Elas também são mais propensas à inovação e à adaptabilidade ao ambiente em que atuam.

As melhores práticas de governança corporativa

As práticas de governança corretas impactam positivamente no desempenho corporativo a longo prazo. A seguir mostramos as principais delas. Confira!

Construa uma diretoria forte e qualificada

Os conselhos devem ser formados por pessoas com conhecimento e perícia relevantes para o negócio. Além disso, precisam ser qualificadas e competentes, com ética e integridade fortes, históricos e conjuntos de habilidades diversificados e tempo suficiente para se comprometer com os seus deveres. Isso pode ser feito das seguintes formas:

  • identificando lacunas no atual complemento diretor e as qualidades e características ideais, mantendo uma lista positiva de candidatos adequados para preencher as vagas da Diretoria;
  • desenvolvendo uma diretoria na qual os membros façam perguntas e desafiem a administração e não apenas “carimbem” as recomendações da gerência;
  • orientando os novos diretores para familiarizá-los com os negócios, seus deveres e as expectativas do Conselho. Nesse sentido, vale reservar um tempo para reuniões sobre os negócios e questões de governança;
  • revisando periodicamente os mandatos do conselho para avaliar se os diretores estão cumprindo suas obrigações, além de realizar avaliações significativas de seu desempenho.

Enfatize a integridade e o trato ético

É essencial criar uma cultura geral de integridade em relação às atividades comerciais e ao cumprimento de leis e políticas relacionadas ao segmento em que a empresa atua. Para criar e cultivar essa cultura:

  • adote uma política de conflito de interesses, um código de conduta comercial que estabeleça os requisitos e o processo da empresa para relatar e lidar com a não conformidade e uma política de denúncias;
  • responsabilize alguém pela supervisão e gerenciamento dessas políticas e procedimentos.

Identifique e avalie os riscos

As empresas devem identificar e avaliar regularmente os riscos que enfrentam, incluindo os financeiros, operacionais, de reputação, ambientais e os relacionados à indústria e a legais.

O conselho é responsável pela liderança estratégica no estabelecimento da tolerância ao risco da empresa e no desenvolvimento de uma estrutura e responsabilidades claras. Assim, deve revisar regularmente a adequação dos sistemas e controles que a gerência implementa para identificar, avaliar, mitigar e monitorar a suficiência de seus relatórios.

Nesse sentido, os diretores são responsáveis por entender os riscos atuais e emergentes de curto e longo prazo que a empresa enfrenta, além das implicações de desempenho. Eles devem desafiar as suposições da administração, adequação dos processos e procedimentos de gerenciamento de riscos da organização.

Por fim, é importante ressaltar que a governança corporativa aumenta a competitividade dos negócios, integrando a responsabilidade social em todos os seus aspectos.

A reputação corporativa serve como um ativo – recurso útil e poderoso – para as empresas desenvolverem suas competências e superarem os concorrentes. Assim, as organizações que atendem às necessidades das partes interessadas têm mais probabilidade de obter uma boa reputação e credibilidade no mercado.

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